sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

CONCENTRAÇÃO CONTRA O DESPEJO DO CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA

DIA 11 DE DEZEMBRO – SEXTA-FEIRA – 18 HORAS

Largo Alfredo Diniz (à saída dos barcos) – Cacilhas / Almada





O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos em Cacilhas, encontra-se ameaçado de despejo pelo proprietário. Após sentença do Tribunal de Almada, emitida no dia 2 de Novembro de 2009, foram dados 20 dias ao CCL para abandonar as suas instalações. O Centro de Cultura Libertária recorreu desta decisão do Tribunal, no passado dia 19 de Novembro, suspendendo a ordem de despejo.



Agora, aguarda-se a decisão do Tribunal sobre o recurso, que pode anular a decisão de despejo, levar a um novo julgamento ou reiterar a sentença já emitida. Não se pode prever qual será a decisão ou quanto tempo esta levará a ser tomada. Sabemos apenas que, caso o recurso seja recusado, teremos dez dias apenas para abandonar o espaço do CCL.



O Centro de Cultura Libertária vive momentos de absoluta incerteza quanto ao seu futuro. Mas uma coisa é certa: faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para dar continuidade ao CCL e para manter o espaço que este ocupa há 35 anos. Para tal precisamos da solidariedade de todxs xs que se revêem no CCL.



Para já o apoio monetário continua a ser muito importante, já que suportamos custos muito elevados para uma associação que vive apenas das contribuições dos seus associados e simpatizantes. O recurso custou-nos 2.000 euros em honorários do advogado e mais 75 euros da “taxa de justiça”. Em caso de perda do recurso, poderemos ter de pagar as custas judiciais. A salvaguarda do espólio do CCL, em caso de despejo, dará certamente lugar a novas despesas.



A motivação do proprietário do prédio é clara: despejar uma associação que paga uma renda mensal baixa (52,50 euros) e cujo contrato só pode ser rescindido através de uma acção de despejo, abrindo assim o caminho à rentabilização do espaço.

O papel do tribunal também é claro: defender o interesse dos proprietários e a propriedade privada, alicerces essenciais deste sistema baseado na desigualdade e na exploração.



Actualmente, o CCL é um dos raros locais anarquistas que se mantém em Portugal, único pela sua longevidade e pelo papel de preservação da memória histórica libertária que desempenha, mas também pela ligação afectiva que gerou em várias gerações de anarquistas, que nele encontraram um espaço de aprendizagem, de experimentação e divulgação das suas ideias.



O Centro de Cultura Libertária encarregar-se-á de agir a nível local, procurando a todo o momento, divulgar e estimular a revolta contra uma situação da qual não somos os únicos alvos. Encorajamos todas as formas de solidariedade dxs companheirxs que desejem potenciar a nossa luta noutros lugares.



Saúde e Anarquia!



Centro de Cultura Libertária

23 de Novembro de 2009







* * * * * * * * * *



Texto dirigido à população de Cacilhas:





Contra o despejo do Centro de Cultura Libertária!



O Centro de Cultura Libertária é um ateneu cultural anarquista que, desde há 35 anos, está sedeado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Tem sido um espaço único pela sua longevidade e pelo papel de preservação da memória histórica libertária que sempre desempenhou, mas também pela ligação afectiva que gerou nas várias gerações que por ele passaram, encontrando sempre nesta associação um espaço fundamental de pensamento, cultura e liberdade.



O Centro de Cultura Libertária foi fundado logo após o 25 de Abril de 1974 por velhos militantes anarquistas que resistiram à ditadura, tais como Francisco Quintal, Jaime Rebelo, Adriano Botelho, Sebastião de Almeida ou José Correia Pires, antigo prisioneiro do campo de concentração do Tarrafal e homem ligado ao associativismo em Almada. Desta forma, este espaço esteve, desde a sua origem, ligado à tradição de apoio mútuo e luta pela liberdade que sempre encontrou terreno fértil na cidade de Almada.



O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com material editado ao longo dos últimos cem anos, assim como uma livraria de cultura libertária. Durante a sua existência, o Centro acolheu várias actividades culturais, tais como debates, passagem de vídeos, exposições ou diversos ateliers. Diferentes publicações aqui se editaram, como o jornal “Voz Anarquista” nos anos 70, a revista “Antítese” nos anos 80, o “Boletim de Informação Anarquista” nos anos 90 e a revista “Húmus”, mais recentemente.



Em Janeiro de 2009, foi instaurada por parte do proprietário do edifício uma acção de despejo contra o Centro de Cultura Libertária. Esta acção foi contestada por vias legais, o que deu lugar a um julgamento que decorreu entre Setembro e Outubro. No dia 2 de Novembro, foi emitida a sentença que resultou na resolução do contrato de arrendamento, tendo sido dados 20 dias ao Centro para abandonar as suas instalações. O Centro recorreu desta sentença, de forma a suspender a ordem de despejo, encontrando-se neste momento a aguardar nova decisão judicial.



Na decisão do tribunal, não foram tidas em conta as testemunhas do Centro, incluindo dois vizinhos, tendo sido todo o crédito concedido às acusações do proprietário quanto ao suposto ruído que o centro produziria e à realização, por parte do mesmo, de pretensas festas que se prolongariam pela madrugada. O ruído que o Centro produz é apenas aquele que se pode esperar de uma associação durante o seu normal funcionamento e não justifica, de modo algum, uma acção de despejo. As condições de insonorização do prédio são, essas sim, muito más e constituem a causa do desconforto sentido pelas pessoas que moraram por baixo do Centro. O senhorio, contudo, nada fez, ao longo dos anos, para tentar solucionar esse problema.



A motivação do senhorio, proprietário de vários prédios e pensões na região de Lisboa, é clara: despejar uma associação que paga uma renda mensal baixa (52,50 euros) e cujo contrato só pode ser rescindido através de uma acção de despejo, abrindo assim o caminho à rentabilização do imóvel, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado até agora.



O papel do tribunal é, também ele, bastante claro: defender o interesse dos proprietários e a propriedade privada, alicerces deste sistema baseado na desigualdade e na ganância.



Só nos foi possível suportar os elevados custos judiciais devido ao apoio de muitas pessoas que se solidarizaram com a importância que este espaço representa tanto a nível local como a nível nacional. Muitos inquilinos, confrontados com um processo semelhante, não teriam sido capazes sequer de enfrentar o senhorio em tribunal, por não terem condições para suportar as despesas. Para eles, um processo destes significaria, automaticamente, o despejo, nada podendo apelar à “Justiça” dos Tribunais.



À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada. Apelamos, por isso, à solidariedade de todos aqueles e aquelas que também sentem que este espaço, parte integrante da identidade e da memória histórica de Cacilhas, deve continuar onde sempre esteve.



Continuaremos a lutar, com o vosso apoio e solidariedade, para que este espaço continue!



Centro de Cultura Libertária

23 de Novembro de 2009

[Grécia] Urgente: Comunicado de Anarquistas de Atenas

Os últimos dias têm sido visto incríveis orgias da Junta militar na Grécia.

Exemplos:

1) Os policiais com armas de fogo nas manifestações;

2) Policiais em motocicletas fazendo incursões contra manifestantes;

3) Policiais seguindo manifestantes pacíficos nas ruas, detenções indiscriminadas e selvagens;

4) Encenações preparadas, como a suposta tentativa de assassinato contra o reitor do Pritanea;

5) Um grande número de acusações vagas e até mesmo criminosas para deter as pessoas jovens e adultas;

6) Fechamento de escolas sob o pretexto da gripe suína e espancamentos na surdina de estudantes que queriam chegar às suas escolas;

7) Secretas encapuzados seqüestrando jovens manifestantes;

8) Maior nível de colaboração entre os neo-nazistas da Golden Dawn e a polícia;

9) Reuniões secretas entre Chrysohoides [ministro para a "proteção dos cidadãos"] e os diretores de canais de televisão e jornalistas para decidir como apresentar a informação na TV;

10) Câmeras secretas escondidas e helicópteros sobrevoando constantemente;

11) Tolerância zero, uma laranja amarga, ou uma pedra arremesada em um banco tornou-se um crime grave e um pretexto para um ataque da polícia;

12) Proibição de manifestações e reuniões políticas nas áreas de maior movimento, com intimidação policial massiva e revoltantes filas de averiguação;

13) Ataques hackers contra o Indymedia, páginas de okupas e TVXS (TV Sem Fronteiras), eliminando comentários;

14) Invasão e detenção preventiva em muitos espaços autogeridos;

15) De um modo orwelliano, os anarquistas e os rebeldes são chamados de "fascistas e nazistas!";

16) Eliminação do direito de asilo acadêmica, como uma Junta militar.

E muito mais!

Algumas dessas coisas aconteceram de forma isolada, e algumas ocorreram apenas durante a Junta Militar dos Coronéis (1967-1974), enquanto que outras nunca tinham acontecido antes, só agora. Nunca tinha passado todas juntas em tão curto espaço de tempo!

Parece que o choque que aconteceu aqui, e que eles escondem, tal como o indomável dezembro, tem o poder de ativar um plano de emergência, um novo “molde de gesso” [repetindo o pronunciamento da Junta em 1967].

Esses momentos são mais do que histórico. Estamos assistindo, pela primeira vez desde 1967, uma tentativa de impor um golpe de estado da polícia fascista. Se numa “democracia parlamentar" são capazes de cometer tais crimes, essa Junta é um pouco diferente, e nós todos temos que começar a entender. Os lemas anarquistas nas ruas estão começando a dizer sem rodeios: "Abaixo a Junta."

Há cumplicidade dos procuradores, dos reitores, das classes mais altas, da mídia burguesa e da polícia, e ainda não sabemos que outras forças locais e estrangeiras foram recrutadas. Ouvimos falar de pessoas desaparecidas. O clima é tão duro como durante a Junta.

Este não é o momento de ficar calado! Essa não é hora de relaxar!

Todos nas ruas - Sentadas em todas as partes!

Por favor, ajude a derrubar a Junta militar grega!

O regime está pelas vias de 1967!

Despertemos!

agência de notícias anarquistas-ana

nas ramagens embaciadas
o sol
abre frestas

Rogério Martins

[Grécia] Marchas solidárias e contra a repressão


[atualização de quarta e terça-feira]

Na manhã desta quarta-feira (9), estudantes atacaram a delegacia de polícia de Alexandria, em Amathia, com coquetéis molotov. Enquanto isso, varredores de rua e lixeiros renovaram a sua greve por mais 48 horas em Atenas. A cidade está tomada de montes de lixo que quase bloqueiam as ruas.

Na questão jurídica, três dos detidos em Tessalônica estão em prisão preventiva à espera de julgamento. Continuam em várias cidades gregas os processos legais de outras pessoas presas durante os últimos dias de manifestações.

Em Mytelene, na ilha de Lesbos, os manifestantes ocuparam quatro estações de rádio e leram comunicados exigindo a libertação imediata de todos os detidos.

Manolis Glezos, um veterano da Resistência conhecido por ter baixado a bandeira nazista sobre a Acrópole (a mais conhecida e famosa das acrópoles da Grécia) durante a ocupação denunciou as prisões como terrorismo de Estado contra o povo e o movimento, enquanto que a Associação de Advogados juntou-se a condenação dos detidos no espaço anarquista “Resalto” como repressão política.

Em mais uma armação policialesca, característica da ética do Estado grego, um menino foi liberado em Tessalônica, depois que a polícia admitiu que tinha "posto" uma mochila cheia de coquetéis molotov para ele. O jovem estava sendo acusado de carregar a mochila cheia de objetos incendiários. Mas um vídeo gravado por uma pessoa durante a sua detenção mostrou que ele não carregava nada, que tudo não passava de uma maquinação das autoridades. Os policiais não foram suspensos ou imputados.

Além disso, em um gesto de colaboração sem precedentes desde a Junta [dos Coronéis], as autoridades do reitorado da Escola de Direito de Atenas anunciaram medidas para desocupar e não permitir a entrada de não alunos em suas dependências.

Em Chania iniciou-se uma investigação sobre a colaboração entre a polícia e grupos fascistas durante os recentes distúrbios depois da publicação das fotos do chefe de operações abertamente coordenando os fachas. Os fascistas atacaram imigrantes em Chania duas vezes desde o fim das manifestações.

Os últimos acontecimentos na Grécia vêm em um clima de extrema tensão econômica no país, uma vez que a agência de classificação de risco de crédito Fitch rebaixou o rating de crédito da Grécia de A- para BBB+. A medida atinge os principais bancos gregos: Banco Nacional da Grécia (NBG), Banco Alpha, EFG Eurobank Ergasias (Eurobank) e Piraeus Bank. A agência enfatizou os "temores sobre a perspectiva de médio prazo para as finanças públicas, dada a fraca credibilidade das instituições fiscais e o cenário político na Grécia". A situação do orçamento grego é muito difícil. Esta descida resultou no colapso do mercado acionário, que se reduziu ao valor de dez anos atrás. O primeiro-ministro grego anunciou que o país está pela primeira vez em uma "crise de soberania nacional desde 1974”, acrescentando mais dramaticamente que "o país está em cuidados intensivos”. O governo teme que as reformas estruturais necessárias para aumentar o nível de qualificação da dívida pública possa levar à Grécia a uma agitação social que faria que a Revolta de Dezembro fosse apenas um distúrbio de sábado.

Nesta quarta-feira estava previsto o julgamento contra o anarquista Giannis Dimitrakis (detido em janeiro de 2006, depois de assaltar um banco no centro de Atenas). O julgamento foi suspenso e transferido para a próxima semana. Solidários que foram até o Tribunal puderam vê-lo de longe e saudá-lo com gritos de ânimo.

Terça-feira (8), além das manifestações solidárias no centro de Atenas e Tessalônica, também ocorreram atos públicos em Trikala, Chania, Rethymo, Giannena, e muitos bairros periféricos de Atenas. Da mesma forma ocorreram concentrações em paradas de metrô e nas praças centrais de Atenas, com distribuição de panfletos e lidos comunicados solidários e contra a repressão e pela liberdade dos detidos pelo megafone.

Em Mitilene e Tessalônica algumas estações de rádio foram ocupadas. Em muitas universidades os estudantes ocuparam os edifícios, após a realização de reuniões. Isto é uma resposta à enorme repressão e à entrada da polícia na universidade. Eles exigem, em primeiro lugar, a retirada dos encargos e à libertação imediata de todos os detidos por qualquer razão nos últimos dias e, segundo, que a polícia pare imediatamente de violar o asilo universitário.

Condenam também a política do Estado na educação e as condições de trabalho. Eles também exigiram a proibição dos despedimentos e a abolição das leis universitárias aprovadas pela administração passada (sobre a privatização, a entrada de empresas na universidade, etc.- isto foi aprovado em 2006-2007, apesar de um grande movimento estudantil, que só conseguiu parar algumas partes da nova legislação). Os estudantes e os anarquistas estão planejando novas manifestações para esta quinta e sexta-feira.

agência de notícias anarquistas-ana

em nosso universo
breve, passa, com pressa! e
graça, a borboleta

Issa

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Atualização dos acontecimentos na Grécia

[Pelo dinamismo e intensidade das atividades na Grécia é quase impossível escrever uma boa atualização sobre o que está acontecendo por lá, principalmente pelas dificuldades idiomáticas, mas “vamo que vamo”. Grécia em todas as partes!]

Nesta segunda-feira (7) houve manifestações em quase todas as cidades do país, especialmente estudantis. Algumas cidades que postaram informes de protestos - que foram desde ocupações de estações de rádio, ataques a alvos capitalistas e militares, até passeatas - pelo Centro de Mídia Independente de Atenas: Kozani, Ilha de Lesbos, Lefkada, Paros, Patras, Larissa, Veria, Rodes, Ilha de Creta, Katerini, Kalamata, Zakynthos, Trípoli, Samos, Volos, Chania, Ilha de Creta.

Em Atenas, ontem à noite, depois da manifestação e da forte repressão, houve uma reunião na Universidade Politécnica ocupada. As pessoas saíram de lá em passeata, tentando evitar alguma prisão, porque havia policiais por todas as partes. A ocupação acabou.

Em Tessalônica, após uma reunião na universidade, aconteceu uma manifestação de solidariedade com os detidos, exigindo a sua libertação. Em seguida, fecharam a rua Egnatia (uma das principais ruas da cidade) de 18h45 até 22h15. Eles deixaram o local somente depois que souberam que todos os presos em 7 de dezembro iriam ser soltos.

Há algumas manifestações de solidariedade convocadas para hoje (8) em Atenas, às 19 horas, e em Tessalônica, às 18 horas. Também há várias convocações e ações em alguns edifícios que ainda permanecem ocupados.

[Ultima hora]


A manifestação em Atenas em frente ao Parlamento foi proibida, o lugar estava tomado de policiais. Mas mesmo assim houve uma concentração de manifestantes.

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1203574

Em Tessalônica mais de duas mil pessoas participaram do protesto aos gritos de que "libertaremos todos os detidos".

Presos libertados

Hoje pela manhã, às 6h30, as 22 pessoas do Centro Social Anarquista "Resalto", em Keratsini, que estavam detidas foram libertadas. Os juízes estiveram reunidos por mais de três horas para tomar a decisão num processo que teve início às 14h30 de ontem.

Uma pessoa foi imposta sob a fiança de 15.000 euros; duas outras uma fiança de 5.000 euros; para outras 6 pessoas uma fiança de 3.000 euros; outras quatro pessoas não receberam qualquer tipo de fiança ou obrigação jurídica; para os demais foi ditado uma proibição de sair do país, comparecer e assinar um compromisso em uma delegacia de polícia de bairro (não sabemos com que regularidade).

Na saída do Tribunal estavam os esperando 30 companheiros e familiares. Ainda hoje, passam pelo Tribunal 41 pessoas que ocuparam a prefeitura da cidade.

Neonazistas

Há diversas fotos postadas no CMI Atenas revelando que membros do grupo neonazista Chryssi Avghi atuaram conjuntamente com as forças policiais gregas na repressão dos manifestantes.

Repressão


O nível de repressão visto em Atenas e outras cidades gregas nos últimos dias atingiram picos de brutalidade sem precedentes naquele país.

Segundo um anarquista londrino, "em abril deste ano, os jornais britânicos divulgaram que um destacamento da seção da Scotland Yard [polícia britânica equivalente ao FBI dos EUA], especializada na "luta contra o terrorismo" foram deslocados ao país mediterrânico, a fim de ajudar o Estado grego para melhorar o nível do seu próprio "terrorismo". Pouco mais de um mês depois, o novo "Delta Force" [os assassinos e terroristas dos comandos motorizados da polícia grega] já estava em serviço, causando ferimentos graves em vários manifestantes".

Ele continua: "As táticas usadas na repressão às manifestações deste mês, o golpe tático que levou à prisão ativistas de um centro social chamado "Resalto”, depois de invadir o local de uma maneira injustificada e brutal, a prisão “preventiva” de muitas pessoas quando se dirigiam para as manifestações com a desculpa de identificá-las, mas com o verdadeiro objetivo de manter as pessoas longe dos locais de luta, as tentativas de estabelecer uma "onda" em torno dos manifestantes... Isto soa familiar... Tudo isto cheira a colaboração britânica com assessoramento, formação e talvez financiamento".

"Quando você vê cortar a barba do vizinho, bote a sua de molho, diz um ditado popular. Acho que os grandes líderes da União Européia estão vendo que a resistência popular anarquista avança imparável, e se hoje é a Grécia, amanhã pode ser a Inglaterra, Alemanha, Espanha..."

Proteção ao cidadão?

O Ministro de Proteção ao Cidadão do novo governo "socialista" grego falou que "durante as manifestações a polícia se quer arranhou algum manifestante". Por outro lado, um policial que preferiu não se identificar disse a um jornal local que "os confrontos não foram significativos, os protestos aconteceram como esperado".

Grande mídia

De acordo com informes veiculados na grande imprensa grega, "especialistas" políticos e agências de inteligência da Europa já temem que a instabilidade grega se espalhe por toda a região. "A Grécia é o ponto fraco da Europa e há a possibilidade de que elementos radicais inspirem outros países europeus", disse um analista ateniense sobre terrorismo.

Humor

Um político direitista grego expressou num jornal local a seguinte frase/pergunta: "Como é possível que as autoridades deixem que um bando de anarquistas tirem e queimem uma bandeira da Grécia e ainda icem no alto de um prédio público uma bandeira anarquista?".

agência de notícias anarquistas-ana

Girassol na tarde
se curva em reverência:
o sol se vai.

Anibal Beça

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Últimas notícias da Grécia

Atenas e outras cidades da Grécia estão hoje (7) em alerta após os violentos distúrbios do fim de semana e diante das grandes manifestações convocadas para o meio-dia desta segunda-feira, em memória ao assassinato de Alexis Grigoropoulos por um policial, há um ano.

Hoje logo pela manhã cerca de 500 alunos do ensino médio tinham bloqueado as avenidas centrais dos subúrbios da capital.

Por outro lado, cerca de 100 jovens fizeram uma manifestação nos arredores da delegacia do bairro de Alimo, na parte sudeste de Atenas.

Em meio a uma grande mobilização das forças da ordem, 10.000 policiais, o acesso às ruas que cercam o centro de Atenas estão fechadas, na previsão de uma ida em massa de pessoas ao protesto.

Os funcionários do setor público convocaram uma greve de três horas para hoje.

Centenas de pessoas ficaram feridas, e cerca de 500 foram detidas neste fim de semana em confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes em Atenas e outras cidades, à margem de grandes manifestações em lembrança ao primeiro aniversário do assassinato de Alexis Grigoropoulos.

Breves notas de ontem (6) à noite em Atenas e de cidades menores da Grécia

Em Patras, aproximadamente 2.000 pessoas participaram da manifestação pelas ruas centrais da cidade. Os manifestantes atacaram a prefeitura e destruíram vários bancos. Pelo menos 50 pessoas foram presas.

O protesto em Xanthi começou com barricadas em chamas. Os escritórios da Companhia Elétrica Nacional foram alvejados com coquetéis molotov.

Houve distúrbios durante à noite na cidade de Ioannina. Vários bancos foram destruídos e 40 pessoas presas. Um centro social antiautoritário na cidade foi invadido pela polícia.

Em Volos, também aconteceram confrontos entre manifestantes e policiais durante a marcha que reuniu aproximadamente 1.500 pessoas.

Foram registrados confrontos entre manifestantes e a polícia na cidade de Agrinio. Um carro da polícia foi incendiado após o lançamento de um coquetel molotov e as estradas principais da cidade foram fechadas pelos revoltosos. Os manifestantes danificaram diversos prédios capitalistas e estatais.

Em Serres houve um ataque ao Tribunal de Justiça da cidade com bombas de tinta. Ninguém foi detido.

Na ilhas de Rodas e Creta dezenas de pessoas foram presas durante os protestos.

As pessoas detidas no espaço anarquista “Resalto” no sábado (5) foram transferidas para um Tribunal de Pireu. Uma manifestação de solidariedade em frente ao Tribunal foi atacada pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

No centro de Atenas continuaram as batalhas em torno da ocupada Universidade de Direito e a sala do Reitor. A imprensa está divulgando notas que o Reitor foi ferido pelos manifestantes durante a ocupação do prédio, na verdade, ele foi hospitalizado devido a problemas cardíacos crônicos, que se agravou nos últimos dias pelo estresse. A polícia está tentando aproveitar o noticiário falso para romper o asilo universitário e evacuar o edifício. A polícia já quebrou brevemente o asilo universitário da escola de Direito ao entrar na frente do prédio e perseguir os manifestantes.

Ainda em Atenas, torcedores que assistiam uma partida de futebol no Estádio Olímpico foram atacados pela polícia após gritarem slogans contra a repressão de hoje. Uma faixa foi erguida nas arquibancadas em homenagem a Alexis. O jogo chegou a ser suspenso por meia hora.

Um espaço da Rede de Direitos Humanos e Civis foi invadido pela polícia, que jogaram gás lacrimogêneo para forças sua desocupação.

A Senhora Koutsoumbou permanece internada com hemorragia interna e possível dano cerebral. Ela foi atropelada de propósito por um policial motorizado durante uma manifestação.

À noite, no centro de Atenas, apesar do estado de terror, cerca de 1000 pessoas conseguiram atravessar as barreiras policiais para chegar ao memorial de Alexis Grigoropoulos, no ponto de seu assassinato, em Exarchia. Foi realizado um minuto de silêncio às 21 horas, horário da morte de Alexis. Em seguida, os manifestantes marcharam até a praça central de Exarchia, mas o seu caminho para a Politécnica foi bloqueado pela polícia, que continuam a cercar as instalações ocupadas da universidade. Uma enorme bandeira anarquista está içada no alto do prédio da universidade.

Antes houve tensão na delegacia de Atenas, quando a polícia negou o acesso a advogados, que iam se reunir com as 177 pessoas detidas nas manifestações.

Em Tessalônica, a polícia quebrou novamente o asilo universitário entrando no salão principal da Universidade Aristotélica para prender um homem. Há 88 pessoas presas na cidade pelas manifestações.

Vídeo dos anarquistas retirando uma bandeira da Grécia e içando uma vermelho e negra no alto do prédio ocupado da Politécnica: http://www.youtube.com/watch?v=7zbf-4u8PiE

Vídeo Tessalônica: http://www.youtube.com/watch?v=J8arBWwl-B0&feature=player_embedded

Vídeo Atenas: http://www.youtube.com/watch?v=tppCRtD-SiA

http://www.zougla.gr/page.ashx?pid=2&aid=84827&cid=4

Fotos Atenas: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1202181

http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1202245

Fotos Tessalônica: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1202158

agência de notícias anarquistas-ana

Na tarde sem sol
folhas secas projetando
sombras em minh'alma.

Teruko Oda

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Grécia - Novembro pertence a todos, Dezembro é de ninguém!

Na manhã desta sexta-feira (20), aconteceu o julgamento das 4 pessoas detidas na cidade de Iráclio, na Ilha de Creta, durante a manifestação de 17 de novembro passado...
Ocupação da Reitoria da Universidade de Atenas continua ...
Bloco anarquista em Tessalônica ...
Sex shops são atacadas ...


Na manhã desta sexta-feira (20), aconteceu o julgamento das 4 pessoas detidas na cidade de Iráclio, na Ilha de Creta, durante a manifestação de 17 de novembro passado. Cerca de 150 pessoas reuniram-se em frente do tribunal para mostrar solidariedade com os detidos. Finalmente, todos os detidos foram libertados com a condição de pagar uma fiança de 10.000 euros (graves acusações), 1.000 euros (acusações leves) e apresentar-se uma vez por mês na delegacia. Em seguida houve uma manifestação espontânea pelo centro histórico da cidade com a participação de aproximadamente 200 pessoas (muitos alunos, grupos de esquerda e anarquistas).
Na manifestação do dia 17, nunca tinha sido visto tantos policiais nas ruas do centro histórico da cidade de Iráclio. Logo ao começar a manifestação a polícia atacou o bloco anarquista. Anteriormente, algumas pessoas atiraram garrafas de vidro na polícia.

Ocupação da Reitoria da Universidade de Atenas continua
Em Atenas segue a ocupação da Reitoria da Universidade de Atenas pelo terceiro dia consecutivo. A Reitoria foi ocupada na quarta-feira para denunciar a ocupação das universidades pela polícia, cancelando assim o caráter de asilo que tem a universidade e também para denunciar a agressão por parte da polícia durante a manifestação da terça-feira (17).
Hoje (20) à tarde, foi realizado um ataque com pequenas bombas de gás a uma delegacia, no bairro ateniense de Nea Ionia. Um carro de patrulha foi completamente destruído. O grupo anarquista “Guerrilha Inflamatória” assumiu a autoria da ação.
Pela manhã foram feitas três "chamadas piada" de bombas falsas colocadas no Ministério do Comércio da Villa Gulandrí e no escritório do político Miltiádi Papaioánu.
À noite, em Exarchia, desconhecido destruíram a entrada do café-bar "Selas". Os trabalhadores deste estabelecimento divulgaram uma declaração denunciando como responsáveis pelo ataque a polícia, afirmando: A forte presença policial no bairro de Exarchia no momento que o ataque foi feito, já anteriormente uma patrulha da polícia a pé foi atacada com pedras; A identidade política" das pessoas que trabalham no café-bar; Os insultos e ameaças que os trabalhadores haviam recebido recentemente pela polícia; A câmera de vigilância que “olha" para a rua Mezóni cerca de 10 metros da entrada destruída.

Bloco anarquista em Tessalônica
Vídeo com cerca de 10 minutos de imagens do Bloco Anarquista durante a manifestação do dia 17 de novembro em Tessalônica, em protesto e celebração da revolta estudantil na Grécia em 1973.
http://www.youtube.com/watch?v=-6WBYNj9WFs

Sex shops são atacadas
Duas sex shops foram atacadas com dispositivos incendiários em Tessalônica, na sexta-feira (13) e terça-feira (17) de madrugada, causando danos limitados. Anarquistas assumiram o atentado, argumentando num comunicado que, entre outras coisas, a indústria capitalista do entretenimento e do sexo não é diferente de muitas outras, e que estas lojas não têm nada de "liberação sexual".

agência de notícias anarquistas-ana

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A censura que desponta na Grécia: Indymedia ameaçado.

Três autoridades de uma universidade são processadas por abrigar um portal de internet "suspeito"

Nesta quarta-feira (18) a justiça grega abriu processos criminais contra o reitor e dois vice-reitores do Instituto Politécnico de Atenas, acusados de autorizar o funcionamento de um site "suspeito" através do servidor deste estabelecimento.

Os três professores foram acusados de "negligência do dever" porque permitem o funcionamento do sítio do Indymedia, um portal de notícias alternativas, que tem repetidamente publicado os textos de reivindicação dos atentados do grupo anarquista grego “Conspiração das Células de Fogo”.

O promotor público de Atenas convocou os três responsáveis da universidade para deporem brevemente na presença de um magistrado.

O reitor da Escola Politécnica de Atenas, Kostas Moutzouris, reagiu fortemente após a acusação e disse que iria "resistir a qualquer tentativa de repressão de idéias" e do direito à liberdade de expressão.

O último texto do grupo "Conspiração das Células de Fogo” foi postado na segunda-feira passada no Indymedia, assumindo o atentado à bomba perpetrado em 13 de novembro contra a casa do deputado do PASOK (Partido Socialista Grego), Mimi Androulaki, em Atenas.

Este grupo tem intensificado os seus ataques desde a agitação urbana de Dezembro de 2008, desencadeada pela morte de um adolescente assassinado por um policial na região de Atenas. Suas ações, que não provocaram vítimas, visam principalmente às casas de personalidades e edifícios públicos.

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

tomando banho só
no riacho escondido –
cantos de bem-te-vis

Rosa Clement

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Fortes protestos marcam celebração de revolta estudantil na Grécia‏

Hoje (17), em Atenas, milhares de pessoas participaram da marcha anual em
memória a revolta estudantil de 1973 na Grécia. Aproximadamente 6.000
manifestantes engrossaram o bloco anarquista, um dos maiores dos últimos
anos.
No bairro de Exarchia foram registrados fortes confrontos entre
manifestantes e a polícia, onde os ativistas montaram barricadas e
lançaram coquetel molotov, pedras e garrafas contra os agentes de
segurança. Pelo menos 300 pessoas foram presas.
Em Tessalônica, também houve choques entre manifestantes e a polícia
grega. Jovens atiraram coquetel molotov nos policiais e chegaram a quebrar
janelas de bancos e queimar uma motocicleta da polícia.
Na cidade de Iráclio, na ilha de Creta, dezenas de anarquistas ocuparam a
prefeitura local. Manifestantes danificaram diversos estabelecimentos
comerciais de luxo e bancos 24 horas.
Em Patras, milhares de pessoas também foram para as ruas para protestar.
Os manifestantes destruíram diversos bancos e carros. Muitas janelas de
vidro de estabelecimentos comerciais foram quebradas.
Em 17 de novembro de 1973 estudantes foram assassinados durante uma
revolta que resultou na derrota do governo militar grego, pelo menos 23
pessoas morreram e centenas foram presas, quando tanques e soldados
invadiram o campus da Universidade Politécnica de Atenas. O número de
mortos nunca foi oficialmente estabelecido e algumas fontes defendem que o
número seja muito maior. Desde então o 17 de novembro é celebrado como um
dia de revolta na Grécia.

Fotos Atenas:
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1105219

Fotos Tessalônica:
http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1105299

Fotos Patras: http://patras.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=6408


agência de notícias anarquistas-ana

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Querem despejar o CCL!


O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos, está a ser ameaçado de despejo por parte do proprietário.

O CCL é um ateneu cultural anarquista fundado em 1974 por velhos militantes libertários que resistiram à ditadura, ocupando desde então o espaço arrendado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Tem sido um espaço fundamental para o anarquismo em Portugal acolhendo sucessivas gerações de libertários. O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com material anarquista editado ao longo dos últimos cem anos, assim como uma distribuidora de cultura libertária. Durante a sua existência, o Centro acolheu várias actividades, tais como debates, passagens de vídeo ou diversos ateliers. Diferentes publicações aqui se editaram, como a Voz Anarquista nos anos 70, a Antítese nos anos 80, o Boletim de Informações Anarquista nos anos 90 e o Húmus, mais recentemente.

Em Janeiro de 2009, foi instaurada por parte do proprietário do edifício uma acção de despejo contra o Centro. Esta acção foi contestada por vias legais, o que deu lugar a um julgamento que decorreu entre Setembro e Outubro. No dia 2 de Novembro, foi emitida a sentença que resultou na resolução do contrato de arrendamento, tendo sido dados 20 dias ao Centro para abandonar as suas instalações.


O Centro vai recorrer desta decisão. Nesta nova fase é preciso suportar custos que dizem respeito ao recurso e aos honorários do advogado. Até à data ainda não sabemos exactamente a quantia necessária mas, pelo que averiguámos, será necessário reunir umas largas centenas de euros.

O contexto que deu origem a este caso não diz respeito apenas ao Centro de Cultura Libertária, mas a todos aqueles que se vêm a braços com a falta de escrúpulos dos senhorios e restantes especuladores imobiliários. É importante relembrar que, ainda que este processo tenha sido iniciado sob alegações do ruído excessivo produzido pelos frequentadores do Centro, estão em causa outros interesses, nomeadamente o do senhorio em rentabilizar o espaço, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado agora.

O desaparecimento deste Centro significaria a perda de um importante espaço de reflexão, debate, luta e resistência.

À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada.

Continuaremos a lutar para que este espaço continue!

Toda a solidariedade e apoio que possam dar força à resistência do CCL é da máxima importância e urgência.

Saúde e Anarquia!!!

Centro de Cultura Libertária
07.11.09

Contactos:

E-mail: ateneu2000@yahoo.com

Correio:
Apartado 40
2800-801 Almada – Portugal

Blog: http://culturalibertaria.blogspot.com

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

GRÉCIA EFERVESCENTE

Ocupação da Universidade de Atenas

Ontem (19) pela manhã a reitoria da Universidade de Atenas foi ocupada por dezenas de ativistas. A ação visava denunciar a violência da polícia durante a mani-denúncia (contra o assassinato do imigrante paquistanês Mohamet Kamran Atio) acontecida no último sábado no bairro de Nikaia, e para exigir a libertação de todos os detidos no protesto.


Tirem as mãos do prédio ocupado Papadopétru

Em 1 de junho de 2006, durante os protestos estudantis, a Assembléia de Estudantes da Escola Politécnica de Creta, realizou uma manifestação com o objetivo de ocupar o prédio Papadopétru, no centro da cidade de Jania, na Ilha de Creta. O reitor da Escola Politécnica, Grispolákis, mostra desde o primeiro momento suas intenções chamando a polícia antidistúrbio para atacar a manifestação e impedir a ocupação do edifício. Durante à tarde do mesmo dia uma multidão de estudantes e gente solidária da cidade conseguiram ocupar o imóvel, e desde então o espaço funciona como ponto de encontro e reunião dos movimentos sociais da cidade. Lá são realizadas jornadas da Associação Estudantil da Escola Politécnica, atividades culturais e é um pólo efervescente de várias lutas, como foi em novembro de 2008, com a greve de fome de 15 imigrantes.

Em 10 de outubro último, apareceu no edifício o representante de uma construtora para anunciar aos ocupantes que, brevemente, começará o trabalho de "restauração" do edificio.


Concerto de solidariedade

Na cidade de Volos, acontecerá no dia 22 de outubro, no CSOA Fábrica Ocupada Machágu, um concerto de solidariedade com o grupo Analema da Croácia e concentração solidária no Tribunal da cidade, onde neste dia acontecerá o julgamento dos estudantes presos durante a revolta de dezembro passado.

Manifestação em Exarchia

A Ação Unitária de Solidariedade anunciou uma nova manifestação em Echarxia, no dia 22, às 19h, contra o exército "socialista" de ocupação no bairro.

Assembléia Popular no bairro de Exarchia

Com a participação de mais de 200 pessoas foi realizada na sexta-feira, 16 de outubro, a Assembléia Popular na Praça de Exarchia.

As decisões tomadas foram: Nova Assembléia em 23 de outubro; Participação e apoio em todos os tipos de protestos por todos os coletivos; Criar uma frente comum, fora das diferenças ideológicas entre os anarquistas e esquerdistas; Presença constante na Praça e caminhadas em grupos para evitar novas prisões em massa.

Após a Assembléia foi realizada uma manifestação espontânea envolvendo cerca de 400 pessoas. Após a chegada da manifestação na rua Sturnari, um furgão da polícia antidistúrbio cruzou a rua para forçar a passagem das pessoas, mas a espontaneidade e a dinâmica do protesto expulsou os policiais e o furgão para fora da Praça. A manifestação terminou no parque auto-organizado de Exarchia.

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=IUVB0UZsNPA

Nove meses de resistência, autogestão e vida!

Nos dias 16, 17 e 18 foi realizada em Atenas uma jornada contra a destruição do Parque Auto-organizado de Kipru e Patision, e em comemoração aos 9 meses de resistência, autogestão e vida do lugar. Plantio de árvores e flores, oficinas de cerâmica, teatro, jogos lúdicos, bate-papo sobre espaços públicos, comida popular, entre outras iniciativas, destinadas principalmente para as crianças, aconteceram nesta jornada de rebeldia e autogestão, que sempre teve a companhia da chuva para alegrar ainda mais as crianças, lavar a alma, molhar a terra e regar as plantas. Bravo!

Prefeitura de Zografu é ocupada

Na quinta-feira, 15 de outubro, foi ocupada a entrada da Prefeitura de Zografu (bairro de Atenas) por vários grupos do bairro, as assembléias de bairro e estudantes. A ocupação (a segunda nos últimos dias) durou 4 horas e conseguiu cancelar a reunião do conselho de administração da Prefeitura. Os ocupantes deixaram uma mensagem clara para o prefeito do bairro ateniense que pretende vender 5 praças e espaços públicos do bairro para as empresas privadas (construtoras).

Contra o estado de terror

Em Iraklio, na Ilha de Creta, quinta-feira, 15 de outubro, mais de 200 pessoas manifestaram-se contra o estado de terror que se vive em Exarchia. Sob forte presença policial, as pessoas percorreram o centro da cidade fazendo várias pichações, enquanto os antidistúrbios não deixaram de provocar as pessoas. A manifestação terminou sem distúrbios.

Protesto contra a privatização do porto

Confrontos violentos entre a polícia antidistúrbio e trabalhadores do porto de Pireus na frente do Ministério do Trabalho, na quinta-feira, 15 de outubro. Os trabalhadores se opõem a privatização do porto e a venda de seus maquinários a uma empresa chinesa.

Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1092479

Em defesa dos rios e da natureza

Em 10, 11 e 12 de outubro aconteceu nos arredores de Atenas uma jornada anticapitalista de luta contra as barragens, em defesa dos rios, pela água e pela vida. “A importância dos rios”, “lutas contra as barragens”, “destruição e desmatamento das florestas ciliares e desvio dos rios”, “ampliação e perspectiva da luta contra o desenvolvimento”, foram alguns dos temas discutidos no evento, que também teve mostra de vídeos, exposições, comes e bebes, entre outras coisas. No dia 12, segunda-feira, houve uma concentração-denúncia na Praça Propylaea, no centro de Atenas.

Fotos de uma jornada contra a barragem de Mesochora: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1089056

agência de notícias anarquistas-ana

velho haicai
séculos depois
o mesmo frescor

Alexandre Brito

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Após 14 dias, António Ferreira abandona greve de fome, mas continua em luta !

"O António encontra-se ainda no pavilhão de segurança, isolado de toda a gente, sem qualquer objecto pessoal, fechado numa cela pequena, apenas com 1 hora de "pátio", num buraco mais pequeno que a própria cela e com uma grade no topo.

Desde a sua transferência à força para este pavilhão que António iniciou um protesto que a prisão tentou encobrir. Só agora, através da visita do advogado, confirmámos que ele nunca esteve em greve de sede e que começou a comer no dia 12 de Outubro, por razões de saúde. Tinha já debilidades e dores no aparelho digestivo. O nosso companheiro não pretende ceder nas suas reivindicações quanto às celas onde o querem pôr e, portanto, insiste na transferência para outro estabelecimento prisional.

Continuaremos a informar, assim que se souber mais novidades."

Retirado de: Rede Libertária

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Grécia - Noite de terror em Exarchia

Centenas de polícias invadiram esta noite o bairro de Exarchia em Atenas no que parece ser uma tentativa de mostrar que estão em controlo da situação depois a acção de solidariedade de hoje.

A polícia entrou indiscriminadamente em bares e cafés detendo dezenas de pessoas que foram levadas para a esquadra da Avenida Alexandras. Os media falam em 50 detenções.

Fonte: Occupied London

Grécia - Atacados bancos no centro de Atenas

Segundo os últimos relatos foram lançados flyers durante o ataque que diziam: "Os mercenários que escrevem a favor da autoridade, os bófias e os seus patrões têm que saber que os nossos companheiros não estão sozinhos. Ataca! Ataca! Ataca!"

Ficam algumas fotos:


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Grécia - Polícia faz várias detenções

Dia 24 de Setembro a polícia realizou uma enorme operação em Atenas, revistando algumas casas particulares que culminaram em quatro detenções. As brigadas anti-terroristas prenderam e interrogaram quatro jovens com idades entre os 20 e 22 anos e dizem que com as provas recolhidas os podem ligar a um grupo anarquista. Não foram, no entanto, publicadas nenhumas informações sobre isso.

Os quatro jovens foram levados ao procurador geral que os acusou de três crimes e que emitiu uma autorização para que as fotos e os nomes dos quatro fossem publicadas. Todos eles negam as acusações.

Três dos quatro detidos estão em prisão preventiva (que pode durar até 18 meses) e a rapariga de 20 anos de idade saiu em liberdade condicional. As mediadas de coacção são a apresentação na esquadra local da polícia duas vezes por mês e a proibição de sair do país, apesar de estudar em Londres.

Entretanto os meios de comunicação do estado lançaram uma autêntica caça às bruxas. Caracterizam os detidos como terroristas e foi lançada uma forte campanha para denegrir o movimento anarquista, embora como de costume, sem argumentos válidos.

No seguimento do caso foram emitidos mais seis mandatos de detenção, pelo que se pode esperar muita actividade da polícia para os próximos dias. Os media sugerem que os jovens procurados pela polícia possam estar escondidos nos terrenos universitários (nos quais a polícia está proibida de entrar) e em okupas anarquistas. Por esta razão pode-se contar com raids muito brevemente.

LIBERDADE PARA TODOS OS DETIDOS

Fonte: Occupied London

URGENTE: António Ferreira em greve de sede, fome e silêncio

António Ferreira de Jesus, de 68 anos, preso há 15 anos, encontra-se actualmente em Pinheiro da Cruz e viu uma vez mais, a liberdade condicional a ser-lhe negada em Julho deste ano.

Dia 28 de Setembro a direcção do E.P. quis transferir o companheiro para uma cela nova, numa ala recentemente reconstruída- essas "reformas" implicam que não haja direito a um candeeiro de leitura ou que, por exemplo, os duches não tenham divisórias, o que obriga a que os presos tenham de tomar banho em conjunto.

O António recusou-se à mudança com base nestas condições. Face a esta recusa, a direcção e os guardas decidiram que o levariam à força, não para a cela prevista, mas para o pavilhão de segurança (chamado de "big brother", num regime de separação total dos outros reclusos, ao abrigo do artigo 111).

Perante isto o António entrou em greve de silêncio, de sede e de fome.

No entanto, os responsáveis da cadeia não reconhecem estas greves porque o companheiro não preencheu o impresso que existe para oficializar o protesto (!)

Não sabemos em que situação ele se encontra, nem que acompanhamento está a ter.

Sabemos quem está por detrás desta situação: a direcção do E.P., a Direcção Geral dos Serviços Prisionais e outros organismos do Estado português.

É urgente pressioná-los, da maneira que achares mais eficaz!


A solidariedade é uma arma!

Pela destruição das prisões e de quem as constrói!


Contactos das entidades responsáveis:

Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz

7570-784 CARVALHAL - GRÂNDOLA (PORTUGAL)
Telefone: (00351) 265 490 620
Fax: (00351) 265 497 078
Correio Electrónico: eppcruz@dgsp.mj.pt

Direcção-Geral dos Serviços Prisionais:

Travessa da Cruz do Torel, nº1 1150-122 Lisboa (PORTUGAL)
Telefone: (00351) 218 812 200
Fax: (00351) 218 853 653
Correio electrónico: dirgeral@dgsp.mj.pt

Provedoria de Justiça
provedor@provedor-jus.pt
Morada: Rua Pau de Bandeira, 9
1249-088 LISBOA
PORTUGAL
Telefone: (+351)213926600/19/21/22
Linha Azul: (+351)808200084
Fax: (+351)213961243

Inspecção Geral dos Serviços de Justiça
correioIGSJ@igsj.mj.pt
Fax: (00351) 213223666

Ministério da Justiça
ministro@mj.gov.pt
Fax: (00351) 213468031



Se optares por enviar cartas ou faxes, aqui vai um modelo de texto


António Ferreira de Jesus, de 68 anos de idade, com mais de 45 anos de prisão cumpridos, actualmente no E. P. de Pinheiro da Cruz, continua a sofrer ameaças de morte por parte de alguns guardas prisionais, conforme declarações suas efectuadas no Tribunal de Grândola há cerca de um ano.

Apesar de reúnir todos os requisitos para a Liberdade Condicional, esta continua a ser-lhe negada.

A última vez que foi proposto para a Liberdade Condicional, foi-lhe prometido que o parecer do concelho técnico lhe seria favorável. Posteriormente, verificou-se que o parecer foi desfavorável por unanimidade.

Criar falsas expectativas na mente de um recluso, sobretudo um preso com mais de 45 anos de prisão cumpridos, é equivalente a induzi-lo ao suicídio.

A última decisão do indeferimento à Liberdade Condicional é a reprodução exacta do primeiro indeferimento, no qual, pidescamente, faz referência às convicções políticas do recluso como indicador negativo do seu processo de “reinserção” social.

E para cúmulo, na noite de 28 do presente mês, António Ferreira de Jesus, por se recusar a mudar para uma Ala que viola os seus direitos (a nova Ala tem condições de “vida” incompatíveis com os critérios da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem), foi submetido ao castigo do regime 111º, ou seja, separado de toda a população prisional, uma prisão dentro de outra prisão, onde os presos sofrem todo o tipo de humilhações e são fortemente induzidos ao suicídio; e onde vários já apareceram suspeitosamente mortos.

António Ferreira de Jesus encontra-se, desde a noite de 28 do presente mês, em greve de sede, greve de fome e em greve de silêncio, em protesto contra a feroz perseguição de que continua a ser alvo.

Não aceitamos que a vergonhosa estatística de mortandade do vosso extermínio aumente com o eventual cadáver do António Ferreira de Jesus.

Fazemos responsáveis a directora do E. P. de Pinheiro da Cruz, A Direcção Geral dos Serviços Prisionais e a quem mais de direito, de todas as consequências advindas da greve de sede, da greve de fome e da greve de silêncio em que o António Ferreira de Jesus se encontra.

Protestamos veementemente contra a perseguição que o António Ferreira de Jesus está a ser alvo por defender a sua dignidade e exigir o cumprimento dos seus direitos.

Exigimos já o fim à perseguição ao António Ferreira de Jesus e a sua imediata transferência para Coimbra ou Izeda, conforme a sua pretensão.

SOLIDÁRIOS/AS COM TODOS/AS OS/AS PRESOS/AS QUE LUTAM PELA DEFESA DA SUA DIGNIDADE!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

APREENSÃO DE COMPUTADOR EM LISBOA, NO DIA 10 DE SETEMBRO

No passado dia 10 de setembro, um computador foi apreendido e uma pessoa foi constituida arguida por, alegadamente, ter colocado um post na rede libertária.

Segundo o email recebido pela rede libertaria, no passado dia 10 de setembro pelas 8 horas da manhã, a policia judiciaria (secção de combate ao terrorismo e banditismo), entrou numa casa em lisboa, com mandato de busca e apreensão. Os 3 agentes da PJ vasculharam duas divisões da casa, tiraram fotografias, recolheram literatura e material informático (computadores, discos externos e dvds).

Em seguida, " fui levado à secção de combate ao terrorismo e banditismo da polícia judiciária, na av. columbano bordalo pinheiro, onde acabei por ser informado do que sou acusado. deram-me como arguido num processo por difamação e
incitação à violência.
Mostraram-me documentos (do google e da pt) que dizem ter havido uma ligação da parte de um administrador do site a partir da minha linha adsl de acesso à internet num dia do princípio de fevereiro deste ano. Sendo que a minha rede está aberta e acessível a alguma distância da minha casa, não é possível eu conseguir saber quem terá postado o post."

A PJ ficou com um computador.


Nada nesta situação nos surpreende. Não esperamos NADA desta ou de qualquer outra polícia.

O disparar para todos os lados da PJ acertou, aleatoriamente, num indivíduo que nada tem a ver com o projecto da rede libertária e, mesmo se tivesse, é pidesca a forma como a polícia entra, remexe, vasculha, leva o que bem lhe apetece, quando bem lhe apetece, como bem lhe apetece, sempre com o selo branco do Estado.

Ficar simplesmente indignado com esta situação parece-nos ridículo.
A continuação de um ataque cerrado contra o Estado e toda a autoridade encontra aqui mais um dos seus motivos.

Retirado de:

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O POVO UNIDO NÃO PRECISA DE PARTIDO!



Estamos fartos das promessas, das farsas, e de todo um sistema opressor! Não podemos aceitar que bancos sejam ajudados em supostos tempos de "crise", não podemos aceitar os milhões gastos nas campanhas eleitorais, não podemos aceitar o "eu é que sou o melhor e que vou fazer tudo". Estamos fartos deste jogo! Não aceitamos partidos, nem os seus representantes, bem como não defendemos o voto em branco, pois não representa realmente um protesto, mas sim mostrar que estamos descontente com os partidos existentes mas acreditamos neste sistema. Em vez disso, escolhe-mos a abstenção, dizendo "NÃO!" a todo o sistema democrático-capitalista e as suas instituições que todos os dias nos oprimem e nos tentam controlar!

"Em qualquer um que votes, NADA vai realmente mudar"

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Itália - Estudantes enfrentam a polícia contra as detenções dos últimos dias




Segundo as informações dos jornais italianos, por volta das 11:30 começou uma escaramuça entre estudantes e polícia de intervenção perto da Faculdade de Arquitectura de Roma.

Um grupo de aproximadamente 500 pessoas com bandeiras negras com um V violeta no centro tentou fazer uma manifestação em Roma vigiados por dezenas de polícias. Os manifestantes começaram a cortar ruas e a fazer barricadas de fogo. Os disturbios aconteceram na zona de Ostiense. As 14h a polícia ainda não tinha conseguido desmobilizar os activistas que se defendiam com pedras e garrafas.
De manhã foram detidas 36 pessoas, entre eles 9 estrangeiros incluindo 4 suecos, 2 alemães, 1 suiço, 1 francês e 1 polaco. Foi também detido um menor de idade.

Antes de se retirarm os estudantes anunciaram o seu apoio à acção que vai deccores às 17h na Praça Barberini perto da embaixada dos EUA.
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Grupos de estudantes okuparam as reitorias das suas universidades para protestar contra as detenções dos últimos dias.
Foi okupada a reitoria da Universidade La Sapienza em Roma, onde os estudantes dizem que não vão sair até haver uma resposta clara das autoriadades em relação a estas detenções. Foi também okupada a reitoria da Universidade Estatal de Milão onde foram colocadas várias faixas. Foi também okupada a Universidade Federico II em Nápoles para protestar contra "as absurdas detenções que estão a atacar os estudantes os os activistas contra o G8 nas universidades" segundo informam as organizações que convocaram a okupação. "É gravíssima a tentativa de intimidar e reprimir violentamente a inconformidade social de uma geração a que se está a negar o direito a um futuro."

Fonte: La Haine

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PRAXES: Instituto Piaget condenado a pagar indemnização de 38 mil euros

Esta semana chegou ao fim um dos processos mais importantes relacionado com a praxe académica. Ana Sofia Damião, na sequência de um processo cível em que exigia que fosse reconhecida a responsabilidade do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros, vê mais uma vez reconhecidos os factos relacionados com a praxe a que foi sujeita.

Ana Sofia Damião foi, no ano lectivo de 2002/2003, sujeita às violências da praxe: insultada, obrigada a despir-se e a vestir-se novamente, forçada a simular orgasmos e relações sexuais com colegas, a relatar pormenores da sua vida sexual e intimada a insultar os seus pais. O inconformismo fez com que a aluna se queixasse junto da Escola e do Ministério, tendo resultado a abertura de um inquérito pela Direcção do Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros. Inacreditavelmente, agressores e agredida foram sancionados, por igual, com uma repreensão escrita – a Ana Sofia “pela forma subjectiva excessiva como relatou os factos, que sabia não terem a gravidade que decorre da sua exposição”; os agressores “por não terem a preocupação de avaliar se as ordens da praxe poderiam ferir susceptibilidades individuais”.A indiferença demonstrada por esta direcção é agravada pelas declarações de um antigo docente e membro do Concelho Pedagógico e Concelho Científico do Piaget de Macedo, que afirma que esta direcção estava claramente a tentar obter o máximo de aproveitamento publicitário de toda a situação.Ana, abandonada por todos os que tinham responsabilidades no processo – Direcção do Instituto Piaget, Ministério com a tutela do Ensino Superior, Associação de Estudantes, Comissão de Praxe –, vê-se forçada a abandonar essa escola e tentar ingressar noutro instituto (o que consegue!). Mas o caso não ficaria por aqui.

Mais tarde, Ana avança com um processo cível contra o Piaget de Macedo de Cavaleiros. Perdido o processo-crime contra os agressores, exigiu na altura a responsabilização da escola – 70 mil euros pelos “danos morais e patrimoniais” decorrentes de todo o caso. Esta foi a primeira vez que uma instituição do Ensino Superior foi chamada à barra dos tribunais e obrigada a assumir a sua responsabilidade na praxe e a justificar a conivência com a violência.O Tribunal de Macedo de Cavaleiros declarou como provadas as seguintes situações: a direcção IPMC tinha conhecimento e aceitava com naturalidade a existência e o conteúdo das praxes no Instituto, nomeadamente porque aceita e legitima o dito "Código de Praxe"; a direcção do IPMC conheceu, em tempo útil, os factos ocorridos com a Ana Sofia Damião, que deram origem a este processo; a Ana ficou revoltada, triste e humilhada na sequência do ocorrido; a degradação do estado de saúde da Ana, consequência de todo o processo, levou-a a abandonar a faculdade.

Esta foi, sem dúvida, uma decisão inédita e da maior importância. Foi a primeira vez que um tribunal reconheceu as responsabilidades objectivas de uma direcção de uma universidade relativamente a esta temática. A coragem da Ana, que nunca desistiu perante as arbitrariedades e contrariedades que enfrentou nos últimos anos, já valeu a pena.

Foram interpostos vários recursos, até que o processo chegou ao Supremo Tribunal de Justiça. Soubemos hoje que foi, inevitavelmente, dada novamente razão a Ana Sofia Damião, tendo o Instituto Piaget sido condenado a pagar uma indemnização de 38 mil euros. Mais do que o valor monetário que foi atribuído à Ana – sempre muito pouco “compensador” para todas as dificuldades e injustiças que teve de enfrentar – o que verdadeiramente está em causa é saber que a persistência de quem não cruzou os braços perante as adversidades e enfrentou todos os poderes tem direito à merecida justiça. Contudo, não podemos também deixar de dizer que este é apenas um caso entre tantos outros que, não tendo chegado à Justiça, acabam por ficar à mercê da impunidade e aproveitamento.

Não podemos deixar de saudar a Ana, a sua coragem e determinação. É um grande incentivo e exemplo para todos, nomeadamente para aqueles que para quem este caso motiva a romper o silêncio que muitas vezes envolve experiências semelhantes de coacção, violência e humilhação.

Basta constatar que, na sequência da sua denúncia, muitas outras situações foram expostas.Recordamos o caso da Ana Santos, que denunciou as práticas de praxe decorridas na Escola Superior Agrária de Santarém em Outubro de 2002. Também após um longo processo se assistiu a uma decisão inédita: em Maio de 2008 Seis arguidos, acusados do crime de ofensa à integridade física qualificada, e o sétimo, do crime de coacção, foram condenados a pagar multas entre os 640€ e os 1600€.Não podemos também deixar de falar no caso do Diogo Macedo e na esperança de que o inquérito recentemente instituído esclareça as causas da sua morte.

A impunidade já não é uma realidade. A conivência com a violência e práticas humilhantes e subjugantes tem um preço. Esta decisão obriga a uma reflexão na escola, na comunidade estudantil, na sociedade. Obriga a que seja questionada a cultura do medo, violência e coação que existe e é cultivada no ensino. Exige que seja reclamada uma escola em que os estudantes são iguais, em que a integração não significa subjugação, em que a democracia não fica à porta. E faz com que as entidades responsáveis pelas várias instituições do ensino superior percebam que simplesmente proibir a praxe não serve. Já não chega olhar para o lado. Estes casos demonstram claramente que as leis da praxe não são e nunca poderão ser diferentes daquelas que recaem sobre os restantes cidadãos.


Texto retirado do blog M.A.T.A (movimento anti-tradição académica)http://www.blogdomata.blogspot.com/

terça-feira, 19 de maio de 2009

Panfleto Apresentação da FEL‏

Federação de Estudantes Libertárixs



A FEL é composta por pessoas que estão organizadas em grupos duma forma livre e estes têm um funcionamento autónomo. Nestes grupos, as decisões são tomadas na assembleia, que é o mais alto órgão decisório de cada grupo. Tanto nos diferentes grupos como a nível federal, as decisões são tomadas por consenso. Deste modo, asseguramos que todas as opiniões e posições são apreciadas e valorizadas de igual modo, e afastamo-nos da politiquice e das lutas internas grupusculares. Temos também de garantir que as decisões de um grupo, ou da federação, são apoiadas por todxs xs envolvidxs.



Os indivíduos que compõem os diferentes grupos que integram a FEL são partidários das ideias anarquistas e comprometem-se a divulgá-las. Além disso, marcam o seu posicionamento contra qualquer opressão de tipo político, económico, cultural, sexual, racial ou militar, ou seja, são totalmente contra o autoritarismo exercido por uma pessoa contra outra, independentemente da área onde ele se manifesta.



Como organização completamente independente, que é a FEL, não aceitamos nenhuma subvenção, venha ela de onde vier. Praticamos a auto-gestão, isto é, os meios materiais e financeiros de que dispomos provêm de contribuições dadas pelos indivíduos que integram cada grupo e/ou de actividades organizadas para os obter, tais como concertos, refeições, distribuição de materiais, etc.



A FEL fixou algumas metas para avançar, passo a passo, na conquista de uma sociedade autogestionária, com base no apoio mútuo, sem necessidade de Estados:

• Incentivar entre xs alunxs a auto-organização autónoma e horizontal.



• Criar espaços de debate e reflexão, tanto nas escolas como fora delas.



• Partindo de uma crítica radical do actual sistema de educação e suas futuras reformas, que condenam o indivíduo à satisfação das necessidades dos sistemas opressores, propomos como alternativa um modelo de aprendizagem anti-autoritário que facilite a construção de um conhecimento integral. Entendemos que este tipo de aprendizagem é uma ferramenta revolucionária não doutrinária, que nos fará avançar no caminho da liberdade.



• Incentivar a abstenção activa na eleição dos órgãos de “governo” das universidades, já que consideramos necessários outros meios de participação reais, horizontais e directos, pois pensamos que as eleições são uma falsa ferramenta de participação, que tem exclusivamente como fim a legitimação do sistema.



• A FEL declara-se anti-praxe. Pensamos que a hierarquia e o controle nunca podem ser o caminho para a formação de pessoas livres e conscientes. Que o único caminho para a liberdade é a prática sem limites desta e nunca a humilhação e o dirigismo. É por isso que temos a intenção de trabalhar contra a praxe até ao seu desaparecimento natural, pois não há nada que a justifique.



• Estabelecer laços entre estudantes libertários para a troca de informações, ideias e experiências, e para nos apoiarmos mutuamente.



• A FEL é contra todo o dogmatismo ideológico, aberta ao debate interno e a novas propostas, já que considera necessária a crítica construtiva para evoluir. Somos conscientes de que não existe uma poção mágica, e que só a prática da liberdade nos fará livres.



Panfleto com Texto em PDF:http://www.fel-web.org/portugal/panfleto-presenta%C3%A7%C3%A3o.pdf

quarta-feira, 22 de abril de 2009

1º de Maio Anticapitalista & Anti-autoritário - Manifestação - Jardim Príncipe Real – 16h, Lisboa

O 1º de Maio evoca aqueles que morreram na luta contra o capital. Desta forma, nunca poderá ser uma celebração. Por outro lado, em circunstância alguma se deverá homenagear uma das suas formas de escravatura: o trabalho ou o estatuto de trabalhador nos moldes de uma sociedade capitalista e autoritária.

A nossa luta é directa e global, contra todxs xs que nos exploram e oprimem, contra o patrão no nosso local de trabalho, contra o bófia no nosso bairro, contra a lavagem cerebral na nossa escola, contra as mercadorias com que nos iludem e escravizam, contra os tribunais e as prisões imprescindíveis para manter a propriedade e a ordem social.

Não nos revemos no simulacro de luta praticado pelxs esquerdistas, ancoradxs nos seus partidos, sindicatos e movimentos supostamente autónomos. Estes apenas aspiram a conquistar um andar de luxo no edifício fundado sobre a opressão e a exploração, contribuindo para dar novo rosto à miséria que nos é imposta.

Recusamos qualquer tentativa de renovação do capitalismo, engendrada nas cimeiras dos poderosos ou na oposição cínica posta em cena pelos fóruns dos seus falsos críticos. Não tenhamos ilusões. Não existe capitalismo “honesto”, “humano” ou “verde”. A “crise” com que nos alimentam até à náusea não é nenhuma novidade. A precaridade não é só um fenómeno da actualidade, existe desde que a exploração das nossas vidas se tornou necessária à sobrevivência deste sistema hierárquico e mercantil.

Porque queremos um mundo sem amos nem escravos, apelamos à resistência e ao ataque anticapitalista e anti-autoritário. E saímos à rua.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Dicas e sugestões para os estudantes transformarem as escolas e o tipo de ensino/educação que lhes é ministrado.

Dicas e sugestões para todos os estudantes, desde os alunos do secundário e básico até aos estudantes do ensino superior, transformarem as escolas e o tipo de ensino e de educação que lhes é ministrado!


Dica nº 1 – Promove o espírito crítico, realiza debates na escola.

Hoje em dia há variados assuntos que os jovens debatem entre si, muitos desses até com bastante relevo, temas tão importantes como a educação sexual, os exames nacionais, o desemprego e outros problemas laborais, ou o ambientalismo.O importante é que mostres aos teus colegas que as opiniões que eles dão em conversas banais podem ser coerentes ao ponto de serem aplicadas num debate mais formal. É necessário então que consigas explicar aos teus colegas que a opinião deles é tão válida como qualquer outra e que portanto podem e devem usa-la em debates.



Dica nº 2 – Há filmes fenomenais que são autênticos retratos sociais e políticos.

Realiza Sessões de cinema na tua escola.Há filmes que levantam questões essências da vida e da sociedade. A exibição de filmes pode ser uma forma essencial de informar, consciencializar e mobilizar os jovens para causas justas. Filmes que fazem os jovens desenvolver o seu pensamento e o seu espírito critico. Por isso realizar ciclos de cinema no auditório da tua escola (normalmente basta pedir ao Conselho Executivo, explicando o que estás a organizar), é uma peça chave para chegares aos estudantes.


Dica nº3 – Faz uma promoção de feriados e dia mundiais importantes.

Celebrações como o dia Mundial dos direitos humanos, o 25 de Abril de 74, o dia Mundial de luta contra a Sida ou o Dia do trabalhador são celebrações que de todo não podem passar ao lado na tua escola por isso aconselhamos-te a fazeres uns cartazes submetidos ao tema para colocares pela tua escola, podes igualmente realizar no âmbito de uma disciplina um debate sobre o tema ou fazer passar um pequeno texto pelas turmas sobre o tema. O importante é que isso não passe ao lado.


Dia nº 4 – Denuncia e apresenta soluções para problemas da tua escola.

Vai constantemente vendo quais são as principais dificuldades dos teus colegas. Todos os dias alguém é discriminado por alguma razão. Sempre que aches coerente podes fazer um panfleto e distribui-lo à porta da escola. Podes também fazer um abaixo-assinado a denunciar o problema e pedir ajuda a colegas para recolher assinaturas e entregar ao Conselho Executivo ou o orgão que pode resolver o problema.É uma forma de ganhares espaço para veres quais as reacções e caso aches coerente realizares uma greve ou outro protesto sobre isso. É importantíssimo que leves sempre amigos contigo.



Dica 5º - Dicas práticas para organizares uma greve e/ou manifestação de estudantes

- Faz cartazes em que menciones que a greve é na tua cidade é importante os jovens sentirem que a greve é marcada pelos estudantes que estão no local. Cola os cartazes por todo o "spot" que encontrares.
- Divulga e convence os teus amigos a mandarem SMS´s
- Cria um panfleto com as principais medidas reivindicativas e com a data e distribuir na hora.
- Vai cedo para a escola com os teus amigos e começa a mobilizar os primeiros que apareçam. Forma com eles um cordão humano para se perceber que se passa alguma coisa.
- Tenta levar um megafone para as pessoas poderem ouvir-vos a reivindicar.
- Faz cartazes e\ou faixas e começa logo a distribuir para o ambiente ser de protesto.
- Convoca todos os media possíveis, locais e nacionais , o que dá incentivo a alguns jovens que sentem que alguém os quer ouvir.
- Organiza o pessoal e avança com a manif.


Dica 6º - Desenvolve na tua escola tácticas criativas de protesto.
Podes por exemplo falar com o responsável pelo grupo de teatro para que façam uma peça sobre racismo, discriminação ou opressão e que a representem para pais professores e alunos. Podes desenvolver por exemplo o dia negro, ou seja, convocares o pessoal todo a trazer uma roupa negra em forma de protesto sobre alguma coisa. Podes apelar a uma Flash-Mob em frente ao teu conselho executivo.
Dica Nº7 - Realização de Abaixo-Assinados e Cartas Formais a Órgãos Executivos
É um grande instrumento para mostrares as tuas reivindicações de uma forma mais formal. A partir de um abaixo-assinado, crias um texto onde explicas o que achas que está errado na tua escola/ensino secundário com um fim concreto e podes também, a partir deste mesmo instrumento democrático, apresentares as tuas propostas. Depois de pronto o texto do abaixo-assinado, é só recolheres o máximo de assinaturas de estudantes que estejam de acordo com o que ele defende (o abaixo-assinado pode, obviamente ser elaborado numa reunião geral de alunos convocada pela Associação de Estudantes).As cartas formais são outra importante forma de expressares as tuas ideias em relação a tudo o que se passa no teu meio escolar e no ensino secundário em geral. Tens variadíssimos endereços com quem contactar - Conselho Executivo, Ministério da Educação, Associação de Estudantes, Movimentos Estudantis, Comunicação Social/Imprensa, Direcções Regionais de Educação, etc...Podes fazer isto através do correio e também por e-mail.
Dica Nº8 - Os direitos das Associações de Estudantes
Todas as escolas têm o direito a ter uma representação dos alunos na assembleia de escola e nada melhor do que uma Associação de Estudantes para responder a essa necessidade. Se a tua escola ainda não tem Associação de Estudantes, formula um abaixo assinado para que seja agendada uma reunião geral de alunos e nessa reunião, serem marcadas eleições e eleita uma comissão eleitoral: Marcadas as eleições, todos os estudantes podem formar a sua lista, que irá a votos. a lista que for eleita tem como direito e dever de defender os direitos dos estudantes dos estudantes. A Associação tem o dever de marcar RGAs para discutir sua actividade. Qualquer estudantes também pode convocar uma RGA recolhendo assinaturas para isso.
Texto retirado do blog http://pimentanegra.blogspot.com/

quinta-feira, 2 de abril de 2009

G20: MANIFESTANTE MORTO NOS PROTESTOS

Os media ingleses, CNN e Sky News afirmam que uma pessoa, presumivelmente manifestante foi encontrado morto esta noite à poucos minutos na zona do Bank of England onde decorriam os protestos!



Confrontos entre manifestantes e Polícia fazem um mortoLondres assistiu a vários protestos contra a globalização e o capitalismo, que culminaram com a concentração de quatro mil pessoas junto ao Banco de Inglaterra



de pessoas invadiram etsa quinta-feira as ruas de Londres numa série de manifestações coordenadas que terminaram em confrontos com a polícia e durante a noite culminaram com a morte de um protestante, quando era transportado para o hospital.



Durante o dia, seis forças de segurança lideradas pela Polícia metropolitana e contando cinco mil homens não foram suficientes para conter os protestos.



Até ao momento, 24 pessoas tinham sido detidas em frente ao Banco de Inglaterra, onde se concentraram cerca de quatro mil pessoas em protesto contra a globalização e o capitalismo. Os confrontos rebentaram quando um grupo de manifestantes apedrejou o edifício do Royal Bank of Scotland e conseguiram entrar pelas janelas. Polícia de choque encerrou a zona impedindo a passagem de automóveis e manifestantes. Várias pessoas foram apanhadas nos confrontos, incluindo alguns portugueses. "Não tenho medo, mas não estou de acordo com o uso da violência", disse ao JN Francisco Castelo Branco, um jovem estudante português que estava de passagem na área.



Num outro incidente, por volta das 16 horas, várias pessoas ficaram feridas após terem sido travadas pelos bastões da polícia de choque. Uma mulher foi transportada para um hospital local, inconsciente.



Não foram, no entanto, apenas grupos organizados que compareceram no encontro. "Eu não faço parte de qualquer grupo ou organização mas vim aqui hoje para mostrar a minha revolta contra esta situação. Estamos todos cansados destas políticas injustas e isto tem que ser dito", explicou Rob Smith, um técnico informático britânico.



A maioria dos protestos, que começaram logo de manhã, decorreram de forma pacífica e a violência foi provocada por grupos esporádicos. "Estas manifestações são grandes e envolvem muitos grupos, é difícil que não haja confrontos", defendeu o português Guilherme Rosa, que trabalha para um banco luso no centro de Londres. Outro português, Edgar Pegado, defendeu que "a violência, embora não concorde com ela, é uma forma de campa".



Noutras zonas da cidade, cerca de 150 pessoas montaram um campo de protesto pelo ambiente, junto ao European Climate Exchange, e quase duas mil pessoas levaram a cabo uma caminhada que partiu da embaixada dos Estados Unidos até Trafalgar Square. Um mapa com 125 possíveis alvos foi, entretanto distribuído pelos grupos de campanha como forma de encorajamento aos protestos. No final do dia, esperavam-se mais confrontos à medida que as diferentes manifestações se dirigiam para o bairro financeiro da cidade.



A mega-operação policial montada em redor da cimeira custará ao estado britânico quase 8 milhões de euros e envolve o recurso a 3 mil câmaras monitorizadas em directo durante os dois dias.

sábado, 28 de março de 2009

Feira do Livro Anarquista

"Queremos ir para além da informação e da opinião.Partindo de diferentes projectos, pretendemos criar um espaço de discussão, reflexão, encontro e confronto de ideias anarquistas, onde cada um destes projectos se possa desenvolver.
Numa tentativa de encontrar e conhecer outros indivíduos e descobrir potenciais cúmplices no que cada um de nós deseja, continuamos (e continuaremos) a dar importância à palavra escrita enquanto ferramenta de comunicação e ataque.

Convidamos quem desejar contribuir neste sentido a participar.
22, 23 e 24 de Maio de 09
rua Luz Soriano 67
Bairro Alto
Lisboa

entrega de proposta de actividades e/ou bancas até dia 24 de abril
Para mais informação:
feiradolivroanarquista.blogspot.com
feiradolivroanarquista@gmail.com"

Feira do livro

"Queremos ir para além da informação e da opinião.Partindo de diferentes projectos, pretendemos criar um espaço de discussão, reflexão, encontro e confronto de ideias anarquistas, onde cada um destes projectos se possa desenvolver.
Numa tentativa de encontrar e conhecer outros indivíduos e descobrir potenciais cúmplices no que cada um de nós deseja, continuamos (e continuaremos) a dar importância à palavra escrita enquanto ferramenta de comunicação e ataque.


Convidamos quem desejar contribuir neste sentido a participar.
22, 23 e 24 de Maio de 09
rua Luz Soriano 67
Bairro Alto
Lisboa


entrega de proposta de actividades e/ou bancas até dia 24 de abril
Para mais informação:
feiradolivroanarquista.blogspot.com
feiradolivroanarquista@gmail.com"

quinta-feira, 19 de março de 2009

ESPANHA: CONTRA BOLONHA


Protestos dos estudantes espanhóis contra o Processo de Bolonha estão a motivar distúrbios e detenções em Barcelona. Enquanto a polícia evacuava um edifício da Universidade de Barcelona, onde decorria um protesto esta manhã, três estudantes foram detidos e vários ficaram feridos devidos a confrontos com a policia.

Centenas de estudantes, convocados espontaneamente via Internet e SMS, concentram-se agora nas imediações do edifício da universidade, em pleno centro da cidade. A zona está cortada ao trânsito e um helicóptero da polícia sobrevoa o local.

segunda-feira, 2 de março de 2009

GRÉCIA- RESTAURANTE ESTUDANTIL OCUPADO NA UNIVERSIDADE DE CRETA

Em um sistema social onde tudo é negócio e às nossas necessidades, até as mais vitais, tornam-se mercadoria, a comida é mais um aspecto da especulação financeira. E as universidades não são, infelizmente, nenhuma exceção, onde os empresários se tornam ricos, explorando as necessidades de milhares de estudantes. Oferecendo uma comida de má qualidade, muitas vezes pré-aquecidas etc., estas empresas não se diferenciam em nada de outros restaurantes fast-food do estilo McDonald's.

Nestes restaurantes as pessoas trabalham sob condições muito duras e exaustivas, precárias, com contratos temporários e com o fantasma do desemprego sempre sobre suas cabeças.

Hoje (26 de fevereiro) temos ocupado o restaurante da Universidade de Creta, para distribuir gratuitamente refeições a todos seus alunos. Nosso ato é uma sugestão ativa, contra a estrutura deste sistema, propondo no lugar do individualismo e da ignorância, a ação coletiva e solidária.

Durante a rebelião de Dezembro de 2008, mais de 250 pessoas foram detidas. Quem move a sua cabeça como se nada tivesse acontecido é cúmplice.

A ocupação foi realizada pela "Assembléia de Insurgentes de Iraklio".

agência de notícias anarquistas-ana
Semente dourada
Reluz cores e formas
Em terra fértil

Regina Mello

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

QURES SER MÉDICO, ADVOGADO, ENGENHEIRO, ETC..?

Pois agora vai-te custar muito mais!
O que é o Espaço Europeu de Educação Superior?
Nos últimos anos a politica europeia tem tomado uma direcção muito clara: cortes nos direitos sociais, privatizações dos sectores públicos e a precarização do mercado laboral.
No ensino universitário isto está reflectido no Processo de Bolonha e na construção do Espaço Europeu de Educação Superior.
Fabrica de precari@s – escola de élites
A ideia que está por detrás das histórias bonitas que nos contam é transformar a universidade numa fábrica de mão-de-obra mais barata, mais submissa e mais rentável para as empresas; Uma universidade “adaptável ao mercado”.
Os cursos estruturam-se da seguinte maneira:
Licenciatura: curso de 3-4 anos que te proporcionarão uma formação equivalente a um curso de CCC, com uma inserção laboral correspondente. A maioria só poderá alcançar este nível. Mestrado: os poucos privilegiados puderam pagar o segundo ciclo, cujo o custo será de 250% do custo da licenciatura e será obrigatório para conseguir um trabalho digno..
Privatização do conhecimento
O ministério da educação deixa claro como as empresas participam na elaboração dos planos de estudo e como serão decisivas na hora de decidir o financiamento de cada universidade.
Outra consequência de ceder cada vez mais poder às empresas nas universidades, passa pela investigação científica ser guiada por critérios empresariais, o que significa que deixaremos de investigar tudo aquilo que, sendo necessário para a sociedade, não resulte na rentabilidade das empresas.
E mais, está previsto o desaparecimento de 67 cursos, a maioria na área das humanidades, que pelos vistos não tem nenhum interesse económico.
A cultura não é rentavel.
Mas há mais!
Jornada estudantil: o decreto estabelece 40 horas semanais de
‘trabalho do aluno, entre aulas teóricas e práticas obrigatórias impossibilitado, assim consolidar o trabalho e a escola.
Custo dos estudos: pelas palavras de um dos responsáveis pelo processo, existe a intenção de transladar os custos aos alunos. Neste sentido, prevê-se um aumento das taxas de financiamento.
praticas não remuneradas: pagarás para trabalhar para uma empresa ou departamento os câmbios dos teus créditos obrigatórios das aulas praticas.

Está nas nossas mãos impedi-lo!
Milhares de estudantes e professores têm saído à tua no ano passado em defesa da universidade pública. Cada vez somos mais. Está na altura de lutares pelos teus direitos!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Basta de crimes, basta de impunidade - Manifestação em Lisboa, dia 24, sábado, 15 horas, Largo Camões


Em 22 dias, as tropas de Israel mataram 1 300 palestinianos, metade delescrianças e mulheres.Bombardearam casas, escolas, hospitais, sedes de agências noticiosas.Usaram munições de urânio e fósforo branco contra a população.Destruíram culturas e gado, oficinas, redes de saneamento e de energia.Mataram condutores de ambulâncias e de camiões de ajuda humanitária.Impediram o socorro aos feridos.Deixaram 100 mil pessoas sem abrigo e 400 mil sem água.Não se sabe quantos corpos estão ainda debaixo de escombros.


A suspensão do ataque não é uma verdadeira trégua.Israel acha-se no direito de voltar a atacar onde e quando quiser.Mantém o bloqueio com que estrangula Gaza, vai para dois anos.Usa o terror como uma espada suspensa sobre a população palestiniana.


Israel repete crimes em total impunidade.Ri-se das resoluções das Nações Unidas que o condenam.Despreza a opinião pública mundial que o incrimina.Faz luxo em ser um Estado fora da lei, seguro do apoio dos EUA e da UE,Portugal incluído.


Exijamos o fim dos crimes, o fim da impunidade, o fim da cumplicidade.

Fim do massacre do povo palestiniano.

Fim do bloqueio a Gaza.

Fim da ocupação dos territórios da Palestina.

Alto ao terrorismo de Estado.

Julgamento dos crimes de guerra de Israel.

Israel deve pagar pelas mortes e pelas destruições.

Boicote a Israel.


Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque)Lisboa, 20 Janeiro 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009


Peões agredidos e detidos pela polícia na Zona Pedonal de Almada

Esta 6ª feira, desde as 16h00, decorreu uma celebração da Zona Pedonal de Almada. Esta iniciativa, organizada por um movimento de cidadãos, visava reclamar o espaço de uma zona pedonal que é diariamente atravessada por centenas de automóveis. Passadas duas horas de celebração, a polícia carregou sobre os peões para permitir a passagem dos automobilistas pela zona pedonal. 2 pessoas foram detidas e 3 foram hospitalizadas.

Durante 2 horas, os cidadãos puderam celebrar pacificamente a zona pedonal. Houve percussão, jogos tradicionais e lanche oferecido a todos os peões da zona. Centenas de transeuntes passaram pela zona, manifestando o seu apoio e juntando-se à celebração.Foi quando a percussão voltou a tocar, que a polícia interviu para abrir espaço para os automobilistas, empurrando idosos no chão e uma pessoa com um bébe no colo. A jovem mãe e cidadã do movimento, Silvia Hable, conclui:" Estes acontecimentos mostram quem manda na zona pedonal. Centenas de automóveis circulam por esta zona todos os dias, com ou sem autorizações especiais e sempre em excesso de velocidade. Quando nós, peões, decidimos finalmente usufruir de um espaço a que temos direito, somos corridos à bastonada pela polícia.”A intervenção resultou em 3 feridos e 2 detenções. Os feridos foram transportados para o hospital, um deles com um traumastismo craniano e uma senhora continua internada até agora.

Os cidadãos ficaram chocados pelos acontecimentos de hoje no Centro da Almada. O movimento cívico vai continuar as suas celebrações já na próxima semana.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Dia 17 de Janeiro, Sábado, às 16h, vem protestar contra a brutalidade policial. Contra a violência do estado. Vem exigir justiça!

Passaram-se nove dias sobre o assassinato do Kuku, sem que as autoridades mostrem qualquer sinal de querer revelar a verdade. Kuku Foi enterrado no passado sábado e com ele todos esperam que seja enterrado mais um crime violento cometido pela policia racista, com a cumplicidade dos média e todos @s que ficaram silenciosos perante o renascimento da pena de morte em Portugal.
Gerou-se um movimento de solidariedade à família de Kuku através da venda de CD's, T-Shirts e donativos que têm ajudado a suportar algumas despesas.
Nos próximos dias 24 e 31 de Janeiro (sábado), pelas 20h,no Centro de Cultura Libertária, irão realizar-se dois jantares para o mesmo efeito.
No entanto, mais que demonstrar solidariedade, é preciso exigir justiça. Lutar por ela. Não queremos deixar que esta execução caia no esquecimento como o caso do Angoi, Tony, PTB, Tete, Corvo, etc.
Até os maiores criminosos, o que não era o caso de Kuku, (ao contrario do que propagandearam os média racistas), têm direito a um julgamento nu tribunal, mesmo sabendo que este também não é sinonimo de justiça. Mas em Portugal a justiça e cada vez mais um privilégio dos ricos. Para os pobres negros, ciganos, brancos, as autoridades reservam execuções sumárias feitas nas ruas, nas viaturas e esquadras de policia.
De Paris a Atenas a São Francisco (onde no dia 1 de Janeiro a policia assassinou um jovem negro de 22 anos), a Amadora, esta a acontecer por todo o lado. Qual será o próximo bairro? O meu? O teu? Quem será o próximo? Eu? Tu?
Basta. Dia 17 de Janeiro, Sábado, às 16h, vem protestar contra a brutalidade policial. Contra a violência do estado. Vem exigir justiça.
Concentração em frente à 60ª Esquadra, na rua 17 de Setembro no Casal da Boba, Amadora
Apelamos a tod@s @s irm@s, tropas, guetos e organizações solidárias que se juntem nesta jornada duma luta que é de tod@s e que esteve calada muito tempo.

Sem justiça não haverá paz


Plataforma.gueto@gmail.com


Brutalidadepolicial.blogspot.com